Do que se trata a cirurgia Bariátrica?

A cirurgia bariátrica consiste hoje na única forma de tratamento eficaz a longo prazo para perda e manutenção da perda de peso para os pacientes portadores de obesidade severa.
 
O principal objetivo da cirurgia é o ganho de saúde, sendo o aspecto estético secundário. Ao buscar uma cirurgia bariátrica o paciente tem que ter em mente que é necessária uma modificação no estilo de vida que o leve a realizar atividades físicas e dieta.
 
 Não existe nenhuma cirurgia bariátrica em que o paciente possa comer de tudo e não engorde novamente. A obesidade é uma pandemia do século XXI e possui origem em diversos fatores como genéticos, alimentares, comportamentais (sedentarismo) e psico-sociais.

O que é o IMC?

No intuito de se medir a quantidade de massa que existe no corpo de uma pessoa foi criado o Índice de Massa Corpórea ( IMC ) que nada mais é que uma medida do peso ( em quilos ) dividido pela altura ( em metros ) e novamente dividido pela altura ( IMC = peso /altura elevada ao quadrado ).
 
O IMC serve para o médico como uma medida indireta de obesidade, sendo aceito universalmente para estimativa da presença de obesidade. Quanto maior o IMC, mais pesado é o paciente, e maior a possibilidade de o mesmo possuir obesidade severa.
 
IMC entre 30-35kg/m2 : Obesidade Grau I
IMC entre 35-40kg/m2 : Obesidade Grau II
IMC > 40Kg/m2 : Obesidade Grau III
 
De acordo com normas instituídas pelo CFM ( Conselho Federal de Medicina ), os pacientes com IMC maior que 35Kg/m2 com doenças associadas a obesidade como: hipertensão arterial sistêmica, diabetes tipo 2, apnéia do sono, colelitíase ( pedra na vesicula), apnéia do sono, doença do refluxo, infertilidade feminina, síndrome dos ovários policísticos, dentre outras podem ser candidatos ao procedimento. Ou aqueles pacientes com IMC maior que 40Kg/m2 com ou sem as doenças acima citadas. A maior parte dos pacientes obesos mórbidos falham em seus tratamentos clínicos e possuem o chamado "efeito sanfona" que por si só já é deletério e causa problemas ao longo da vida do paciente.

Quais as exigências para se fazer a Cirurgia?

Os pacientes candidatos a cirurgia bariátrica precisam seguir determinadas exigências determinadas pelo Conselho Federal de Medicina, dentre estas destacamos:
 
  • Índice de Massa Corpórea superior a 35Kg/m2 com doenças associadas à obesidade e que melhoram com a cirurgia;
  • Índice de Massa Corpórea superior a 40kg/m2 com ou sem doenças associadas;
  • Peso estável há pelo menos 2 anos;
  • Tentativas de perda de peso com, pelo menos, 2 anos de acompanhamento com profissional médico ou nutricionista;
  • Ausência de contra-indicações médicas ou psiquiátricas para a cirurgia.

Quais os tipos de procedimentos bariátricos?

Os procedimentos bariátricos podem ser definidos como restritivos ( onde a perda de peso se dá pela diminuição da quantidade de alimentos ), disabsortivos ( onde a perda de peso se dá pela diminuição da absorção da comida ) ou mistos ( quando há combinação dos dois métodos anteriores ). Antes de realizar qualquer procedimento bariátrico o paciente precisa saber se o profissional que o assiste está habilitado para realizar o procedimento e também precisa tomar conhecimento de todos os riscos e benefícios da cirurgia, além de se comprometer a modifiar seu estilo de vida continuamente. Para entender melhor os procedimentos clique nos links abaixo.
Manga gástrica (Gastrectomia Vertical)

A manga gástrica, também conhecida como a gastrectomia vertical, é um procedimento cirúrgico que auxilia na perda de peso, restringindo a quantidade de alimento que o estômago pode armazenar e reduz significativamente a fome na maioria dos pacientes.

A manga gástrica é um procedimento restritivo e metabólico, significando que não há mudança do trajeto dos alimentos no trato gastrointestinal que pode interferir com a absorção de nutrientes, apenas diminuição da capacidade do estomago e diminuição nos níveis dos hormônios da fome.

E, ao contrário da banda gástrica ajustável, a manga gástrica não envolve a implantação de qualquer objeto estranho no corpo. O procedimento apenas reduz o tamanho do estômago pelo fato de remover cerca de três quartos do seu volume.

Após o procedimento os pacientes não são capazes de comer muito de cada vez, de modo a alcançar o sucesso no emagrecimento e manter uma nutrição adequada. O paciente deve aprender a escolher os alimentos de alta qualidade e comer mais devagar. É necessário ter pequenas mordidas, mastigar tudo muito bem, e evitar beber durante as refeições. Em outras palavras, você para de "viver para comer" para começar a "comer para viver."

Dúvidas frequentes

Quais os benefícios deste procedimento?

O procedimento beneficia pelo fato de induzir perda de peso sem alterar o trânsito intestinal, além disso trata-se de um procedimento que altera hormônios que induzem o apetite. Além disso é um procedimento que pode ser alterado para outro procedimento bariátrico caso haja falha.

Quais as indicações deste procedimento?

A cirurgia de manga gástrica possui as mesmas indicações que as da cirurgia bariátrica convencional ( IMC maior ou igual que 35Kg/m2 com comorbidades ou IMC maior ou igual que 40Kg/m2 ). Estão sendo realizados estudos para realizar este procedimento em paciente com IMC entre 30 e 35Kg/m2.

Quais os riscos do procedimento?

São os riscos de qualquer cirurgia que envolvem grampeamento, os principais são as fístulas ( aberturas dos grampos ) e sangramento. Do ponto de vista nutricional, o risco de desnutrição é menor que dos procedimentos que envolvem disabsorção.

Quais a perda de peso estimada após este procedimento?

É extremamente variável podendo variar entre 35 e 90Kg.

O que posso comer após o procedimento?

Virtualmente o paciente pode comer de tudo, porém deve reaprender a mastigar e evitar refeições de grande volume, além disso devem se manter afastados de comidas e bebidas com açucáres ou hipercalóricas.

O estômago pode dilatar após a cirurgia?

Sim, caso coma refeições com grande volume ou com muito líquido, pode haver dilatação do estômago e reganho de peso.

Quais os resutadosa longo prazo?

Apesar de ser procedimento liberado pelo Conselho Federal de Medicina, os dados preliminares mostram eficácia de manutenção de perda ponderal em torno de 75% em 5 anos. Porém é necessário um seguimento a longo prazo para avaliar melhor os resultados do procedimento.

Bypass gástrico com derivação em Y de Roux

A cirurgia de bypass gástrico pode ser feita por via aberta (laparotômica) com uma incisão (corte) na linha média do abdôme superior ou por via laparoscópica (pequenas incisões feitas no abdôme como apresentado ao lado).

Através dessas pequenas incisões são feitos os grampeamentos e anastomoses (emendas) necessárias para se completar a cirurgia.

O bypass gástrico faz com que a maior parte do estômago seja excluído do trânsito da comida, daí a cirurgia se chamar bypass (significa desvio), porém ao contrário do que muitos pensam o estômago não é retirado do abdome.

O "novo" estômago é apenas uma pequena parte do total da câmara gástrica medindo cerca de 80ml e é criada uma nova ligação entre este novo estômago e o intestino delgado.

Além disso é feito um desvio de cerca de 2 metros no intestino delgado o que leva ao componente disabsortivo quer dizer que do pouco que você come, uma parte não é completamente absorvido), daí a necessidade de vitaminas para toda a vida.

Dúvidas frequentes

Quais os riscos da obesidade severa?

Pacientes com obesidade severa possuem risco aumentado para doenças cardiovasculares com o infarto agudo do miocárdio e o derrame cerebral, além de diabetes, doenças articulares e inclusive tumores malignos como o de mama, intestino, endométrio e esôfago.

Qual a taxa de sucesso desta cirurgia?

A taxa de sucesso deste procedimento se situa em torno de 85% nas melhores séries , isto quer dizer que a grande maioria dos pacienes conseguem perder peso e manter esta perda no pós-operatório.

Posso voltar a engordar após a cirurgia?

Embora não seja frequente o reganho de todo o peso, após 2 anos existe uma tendência a estabilização do peso e um leve reganho de peso, é o chamado fim da fase de lua-de-mel. Por envolver questões complexas como genética e comportamento, o paciente mesmo no pós-operatório deve manter dieta e exercícios, já que poderá ganhar peso após alguns anos de operado. A cirurgia não faz milagre e o paciente precisa fazer sua parte.

Posso comer de tudo após a cirurgia?

Sim, mas não deve. Após os primeiros meses da cirurgia, o paciente poderá comer praticamente todos os alimentos, porém como fez a cirurgia para emagrecer, deve ficar longe de comidas muito calóricas como doces e açúcares refinados, massas, refrigerantes, bebidas alcoólicas e gorduras. Uma nutricionista o acompanhará por toda a vida, bem como a equipe cirúrgica e o seu psicólogo.

De que são feitos os grampos da cirurgia? Eles podem se soltar?

Os grampos são feitos de titânio e possuem mais de uma fileira de cada lado para conferir maior segurança. A linha de grampos pode se romper por uma série de fatores ( falha de cicatrização, excesso de alimentos ingeridos pelo paciente, falha de um dos grampos ) e quando isto ocorre aprece o que é conhecido como fístula, uma condição grave. Felizmente essas complicações ocorrem em menos de 1% nas grandes séries de estudo.

O estômago pode dilatar após a cirurgia?

Sim, caso coma refeições com grande volume ou com muito líquido, pode haver dilatação do estômago e reganho de peso.

Preciso fazer exercícios mesmo depois de operado e já magro?

Sim, uma rotina de exercícios deverá fazer parte de sua vida para sempre.

Quais os possíveis benefícios da cirurgia?

Paciente operados possuem uma menor mortalidade a longo prazo. Isso quer dizer que o risco de permanecer obeso, a longo prazo, é maior que o risco da cirurgia. Os pacientes obesos que usam medicações orais para o controle do diabetes possuem na cirurgia uma forma melhor de controlar esta doença e em um grande número de pacientes há a suspensão por completo da medicação. A pressão arterial também é normalizada na maior parte dos pacientes no pós-operatório. Há uma importante melhora na qualidade de vida, na apnéia do sono, na capacidade para realizar exercícios e na estética.

A cirurgia deve ser considerada estética?

Em nenhum momento o objetivo da cirurgia deve ser puramente estético, apesar de ser um dos fatores importantes, o objetivo principal da cirurgia deve ser sempre a obtenção de um melhor padrão de saúde e de qualidade de vida e para que haja uma reeducação alimentar e modificação do estilo de vida.

De que forma garanto o sucesso de minha cirurgia?

Mantendo uma rotina de exercícios, seguindo a dieta, tomando os suplementos vitamínicos, e mantendo um acompanhamento correto no pós-operatório.

O Diabetes Tipo 2 e a Cirurgia Bariátrica

O diabetes é uma doença que atinge milhões de pessoas em todo mundo. Esta doença trata-se de uma impossibilidade de o organismo utilizar corretamente a glicose de forma que o açúcar se “acumula no sangue” levando a um estado conhecido como hiperglicemia. O tipo de diabetes que melhora com a cirurgia é o diabetes do tipo 2.

Dúvidas frequentes

Quais os riscos do diabetes?

O diabetes pode levar a uma série de consequências desastrosas para os pacientes que o possuem e que não conseguem controlá-lo adequadamente, as principais complicações do diabetes são:

  • Doenças vasculares: infarto do miocárdio, amputações de membros, derrame cerebral, cegueira, insuficiência renal;
  • Doencas neurológicas: neuropatias periféricas ou viscerais;
  • Doenças imunológicas: Deficiência na imunidade e dificuldades de cicatrização e no combate a infecções;
  • Doenças metabólicas: estado hiperosmolar, cetoacidose, hipercolesterolemia.

O que causa o diabetes?

O diabetes pode ser causado por uma deficiência de insulina ( hormônio secretado pelo pâncreas que leva o açúcar do sangue para as células ) ou por uma impossibilidadeda insulina atuar nas células ou ainda por uma combinação destas duas causas.

De que forma a obesidade pode levar ao diabetes?

A obesidade é umas das causas do diabetes por diversos motivos. Dentre os quais podemos destacar:

  • A insulina não consegue atuar corretamente nos tecidos como o músculo;
  • A insulina não consegue atuar corretamente no fígado;
  • A infiltração de gordura no fígado ( esteatose ) leva a diminuição da captação de glicose pelo fígado;
  • A obesidade por tempo prolongado promove um estado de hiperglicemiaque acaba esgotando as células produtoras de insulinado pâncreas e o paciente neste estágio não consegue mais controlar sua glicose só com comprimidos e passa a usar insulina.

De que forma a cirurgia bariátrica pode ajudar no controle do diabetes?

A perda de peso gerada pela cirurgia pode reverter todos os eventos relacionados acima e que levam ao diabetes associado a obesidade.

Porém a melhora do diabetes ocorre na maioria das vezes antesde ocorrer uma grande perda de peso. Isto inicialmente pareceu confuso para a maior parte dos estudiosos, já que se esperava que somente após uma grande perda de peso fosse haver melhora do diabetes.

Devido a este fato, começou-se a estudar uma série de efeitos que poderiam ser resultado direto da cirurgia, estes efeitos são conhecidos como efeitos incretínicos.

Além de alterar o tamanho e o trânsito de alguns órgãos do tubo digestivo, existem alterações hormonais benéficas para os pacientes que possuem diabetes induzidas pela cirurgia, estas alterações consistem em:

  • Melhora da secreção da insulina pelo pâncreas;
  • Regeneração das células produtoras de insulina no pâncreas;
  • Diminuição da gordura do fígado (esteatose) e consequentementeda resistência hepatica à insulina;
  • Maior tempo circulação dos hormônios que aumentam a secreção da insulina pelo pâncreas;
  • Diminuição da resistência a insulina nos músculos;
  • Diminuição dos triglicérides e colesterol.

Quais procedimentos bariátricos possuem maior potencial para melhora cirúrgica do diabetes?

Quase todas as cirurgias bariátricas podem melhorar o diabetes, porém as que melhor controlam a doença são a cirurgia de Bypass gástrico com derivação em Y de Roux (cirurgia de Capela) com taxas de resolução superiores a 80%, a manga gástrica com taxas superiores a 65% e o switch duodenal com taxas superiores a 85%.

A gastrectomia em manga pode ser utilizada para o tratamento do Diabetes tipo 2.
A cirurgia de Capela pode ser utilizada para o tratamento do Diabetes tipo 2.

Quais os pacientes obtém melhores resultados com a cirurgia?

Os pacientes que possuem menos de 10 anos de diabetes ou que não apresentaram um longo tempo de doença descompensada possuem os melhores resultados, já que ainda possuem capacidade de sencreção de insulina pelo pâncreas.

Além disso a manutenção de uma dieta sem açúcar no pós-operatório e a realização de exercícios físicos são fundamentais para o controle da doença.